sexta-feira, 2 de março de 2012

Planeta dos Macacos (1968), um final inesquecível

Taylor, vestido em trapos, é
dominado pelos macacos
Privilegiados são (ou foram) aqueles que puderam assistir nas salas de cinema, com o frescor do ano de lançamento, os vários clássicos produzidos durante a década de 60. Para ficar só em alguns, poderíamos citar Psicose (Psycho, 1960), A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960), Persona (idem, 1966), Se meu apartamento falasse (The Apartment, 1960) e por aí vai. Entre essas preciosidades, dois filmes, lançados em 1968, marcaram para sempre o gênero de ficção científica: Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) e 2001: uma Odisseia no Espaço (2001: a Space Odyssey). O Frames para Sempre de hoje vai lembrar uma cena do primeiro, que se tornou uma saga sobre a dominação símia do planeta, e trouxe embutido nesse enredo várias discussões que perduram até hoje – e um dos melhores finais da história do cinema.


Nave do comandante Taylor soçobra
no planeta desconhecido
Adaptado do romance do escritor francês Pierre Boulle, Planeta dos Macacos conta a história de uma expedição interplanetária comandada por George Taylor (Charlton Heston), cuja missão era comprovar que, se a nave viajasse na velocidade da luz, o tempo passaria mais devagar para eles do que para quem ficou na Terra; teoria que, de fato, é confirmada. No entanto, um contratempo faz com que a nave caia num planeta desconhecido, e a dualidade temporal criada pela viagem na velocidade da luz faz com que os astronautas, 18 meses após sua partida da Terra, estejam no ano de 3978. No tal planeta desconhecido, Taylor e seus dois companheiros de expedição encontram humanos primitivos e incapazes de articular palavras, subjugados por macacos que andam a cavalo, usam armas e falam inglês fluentemente. 

Uma brincadeira com a teoria da evolução? Também, mas o questionamento levantado pelo filme dirigido por Franklin J. Schaffner vai muito além do mero chiste cientificista. Taylor é um tipo meio antissocial e, logo no início do filme, deixa bem clara a sua descrença com relação à humanidade. Ainda na nave, durante uma das gravações de uma espécie de diário de bordo, ele se pergunta se a maravilhosa civilização humana, que o mandara para aquela extraordinária expedição, ainda era capaz de brigar com seu próprio vizinho, no que parece ser uma menção à Guerra Fria, em curso na época do filme. 

Taylor observa a conversa de Zira
e Cornelius com Dr. Zaius
Mais adiante, já sob o jugo dos macacos, Taylor encontra o apoio da psicóloga de “animais” chamada Zira (Kim Hunter), responsável por conduzir experimentos com humanos, e seu namorado Cornelius (Roddy McDowall), um arqueólogo que elaborou uma teoria considerada herética pela igreja símia: os macacos teriam se originado dos humanos. Esses dois acabam mantendo uma relação mais amena com Taylor, por verem nele uma comprovação de suas teses científicas de que a raça humana não é tão inferior como todos pensavam. 

Os três encontram a dura oposição de Dr. Zaius (Maurice Evans), o controverso Ministro da Ciência e Defensor Supremo da Fé, que tenta impedir o avanço das pesquisas de Zira e Cornelius, temendo qual seria o resultado de uma revelação dessas para a sociedade símia. Afinal, como aceitar que os macacos teriam evoluído dos humanos, tese que contraria frontalmente os escritos religiosos? 


O ponto alto do filme, a meu ver, é quando Zaius dá sinais de que conhece a superioridade humana, está ciente de que essa raça, agora dominada, já foi muito mais avançada, teve uma tecnologia incomparável aos dos macacos, mas por sua ganância inesgotável, entrou em guerra, destruiu tudo e abriu espaço para a evolução dos macacos. Aí reside a grande crítica do filme, em plena corrida armamentista e tecnológica promovida por EUA e União Soviética: para onde estamos indo? Qual é a vantagem de nos armarmos até os dentes e preparar nossa própria destruição? Zaius conhecia essa história, e temia que ela se repetisse em sua civilização. Até por isso, ele é, ao mesmo tempo, um homem (melhor, macaco) da ciência e da religião, equilibrando essas duas forças para que sua raça não sucumba como a raça humana. 

O símbolo do fracasso
de uma civilização
Aí vem o final épico, objeto desse Frames para Sempre. Liberto, Taylor anda a cavalo pela orla, quando avista alguma coisa que o impressiona: símbolo maior da civilização americana, a estátua da liberdade aparece em pedaços. O tal planeta desconhecido era a Terra! “Maniacs, you blew it up”, exclama o astronauta ao ver a cena. Difícil é saber se ele refere-se aos macacos ou aos próprios humanos, responsáveis pelo declínio de sua própria sociedade. 

Um clássico, e uma cena impactante que você pode conferir no vídeo abaixo:

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